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Brinquedos sexistas

Ontem eu li sobre a ~~polêmica~~ do Kinder Ovo e seu suposto “sexismo”. Os abismos do intelecto humano contemporâneo me deixam cada vez mais espantado… Fechei os olhos e imaginei, num futuro não tão distante, a seguinte cena:

O pai, que sempre se vangloriou de seus pensamentos progressistas e de sua mente moderna e aberta às mudanças sociais, chega em casa com um boneco do Ben 10 numa mão e uma Barbie na outra, e chama o filho, de 6 anos, na sala:

– Meu filho, pode escolher qual presente você prefere.

– QUERO O BEN 10, PAPAI! – disse o menino, pulando.

– Você pode escolher qualquer um. Não se prenda a preconceitos.

– QUERO O BEN 10! – avançando sobre o brinquedo.

– Pense bem. – o pai puxou o brinquedo – Você não precisa se ater aos estereótipos impostos pela sociedade machista a patriarcal. Qualquer criança pode brincar com qualquer brinquedo.

– ME DÁ O BEN 10, PAI! – já era uma súplica desesperada.

– Por quê?

– Por que o quê?!

– Por que tanta pressa em se definir? Em excluir um brinquedo e escolher o outro? Você nem olhou direito a Barbie.

– Eu prefiro o Ben 10, pai.

– Mas por quê? Por que você acha errado um menino preferir uma Barbie?

– Eu só acho o Ben 10 mais legal. – quase chorando.

– Será que acha? Ou será que isso é mais um conceito que te foi imposto por essa sociedade sexista?

– Sociedade o quê?

– Sexista.

– Me dá o Ben 10, pai! – já chorando – Você falou que eu podia escolher qualquer um.

– E pode!

– Então me dá o Ben 10!

– E por que não a Barbie?!

– MAMÃE, O PAPAI NÃO QUER ME DAR O MEU BRINQUEDO! – choro desesperado.

– Por que o boneco é o “seu brinquedo”? Quem determinou que a boneca deveria ser excluída? Você não precisa se prender a esses rótulos. Você pode ser livre, se quiser.

– EU SÓ QUERO O MEU BEN 10! – choro convulsivo

– Prefere um boneco, a pensar livre de qualquer estereótipo pré-estabelecido pela sociedade patriarcal-consumista?

Encolhido no chão, o menino só chora. O pai insiste:

– Você é criado nesta casa para experimentar a liberdade. Pode ter o que quiser, entendeu? Não tem problema se quiser a Barbie. Papai e mamãe não vão te julgar.

– Mas eu só quero o Ben 10.

– Tem certeza que VOCÊ quer? Ou é um gosto que te foi imposto pela mídia sexista?

– ME DÁ MEU BEN 10!!! – o choro convulsivo de volta.

– CHEGA! NÃO É POSSÍVEL MANTER UM DEBATE FILOSÓFICO SE VOCÊ SÓ FICA GRITANDO E CHORANDO! VÁ JÁ PARA O SEU QUARTO!

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Monteiro Lobato

Não é sem alguma surpresa que leio sobre uma audiência pública(!), feita pelo STF (!!), para debater a existência de conteúdo racista na obra de Monteiro Lobato (!!!). Eu repito: a Suprema Corte nacional decidiu reunir algumas ~~entidades da sociedade civil~~ (o que quer que signifique isso…) para discutir o conteúdo de uma obra literária. O Brasil só não é mais patético por falta de espaço

Pessoas de bem, preocupadas em combater o racismo, exterminam a obra ímpia de Monteiro Lobato.

O absurdo envolvendo essa iniciativa é tão gritante, que as teratológicas interpretações dadas aos escritos de Lobato chegam mesmo a ficar em segundo plano. O simples fato de aceitarem discutir o assunto em uma audiência pública já é assustador por demais. No meu mundo ideal, o STF aplicaria uma descompostura pública nos envolvidos, diria que há questões jurídicas importantes a serem analisadas e recomendaria os livros de Lobato a todos.

Mas não pensem que os responsáveis por essa estrovenga querem censurar Lobato. Que nada! O que pedem é que os livros dele não sejam adotados nas escolas. Ou, no caso de serem adotados, que isso ocorra sob supervisão, depois de treinamento específico aos professores. Só isso!

Acham que a obra de Lobato “incentiva o bullying” e sugerem que os professores “não estão habilitados a contextualizar os livros de modo a esclarecer o momento histórico em que foram escritos”. A solução? Tirem os livros! Brilhante como só o glorioso Estado brasileiro poderia ser…

Imagino que os próximos pontos da pauta serão: a) banir “Romeu e Julieta”, pois pode incentivar as crianças a desobedecerem os pais e – pasmem! – a cometer suicídio; b) processar e punir Vinícius de Moraes pela música “Garota de Ipanema”, por subliminarmente incentivar a pedofilia.

O Brasil, um dos países menos cultos do mundo dito civilizado, em vez de incentivar seus jovens a enfiar a cara nos livros e debater, inclusive, as impressões e interpretações que decorrem da leitura, prefere reunir suas mentes mais iluminadas para debater se livros devem ser lidos.

O ridículo deste país não conhece limites…

Textículos #5

“E aí, não vai escrever sobre o assassino direitista da Noruega?!”

Yep, vou sim. Mas não muito, porque (a) o assunto cansou e (b) gente mais gabaritada que eu já escreveu tudo o que há para se escrever a respeito (aqui e aqui).

Simples e direto? Quero mais é que o assassino vá pro diabo que o carregue! Viram? Já disse antes e volto a repetir agora: não tenho terroristas de estimação! No meu mundo ideal, todos estariam “sentados no colo do capeta” (copyrights Alborghetti), fossem eles de esquerda, de direita, de centro ou sabe-se lá o que mais.

Dito isso, uma digressão: o que caráleos leva meio mundo a concluir que o maluco norueguês é “de direita”? Ele por acaso publicou tratados defendendo o Estado mínimo? É mundialmente conhecido por seus postulados acerca do não-intervencionismo? Onde estão, afinal, os fundamentos concretos apontando para o “direitismo” dele, for God’s sake?!

“Ah, ele era xenófobo.” Sério?! Do tipo que não queria ninguém diferente dele na Noruega? Algo assim, nos moldes do nazismo? Aquele movimento criado por Hitler que se chamava de – atenção agora! – nacional-SOCIALISMO?! Façavor, né? É preciso bem mais que uma imbecilidade racista para enquadrar alguém como cristão, ateu, direitista, esquerdista, ou o que quer que seja. A única conclusão possível até o momento é a seguinte: o assassino é um sociopata. Fim! O resto não passa de chutômetro.

Por fim, não custa lembrar que eu não tentei defender ou justificar o assassino norueguês. Dane-se as alegadas motivações políticas para a barbárie! É um criminoso e deve ser punido. Agora quero ver os esquerdosos fazerem o mesmo com Cesare Battisti, afinal também matou gente inocente alegando motivos políticos… By the way, será que o STF também daria abrigo ao maluco nórdico?

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E a Amy Winehouse, heim? Que chato… Eu curto algumas das músicas dela (Back to black é algo fabuloso!) e lamento esse imenso desperdício de talento.

Convenhamos, esse final estava anunciado, né? Amy procurou desesperadamente o fim que encontrou no último sábado. Se atirou nessa busca mórbida desde o dia em que escolheu jogar seu enorme talento no lixo e se debruçar sobre todo tipo de droga imaginável.

É por isso que não consigo me comover com o ocorrido, nem me render ao discurso politicamente correto que a quer como uma “jovem doente”, vítima das drogas. Ah, tenham a santa paciência! Doente é quem fica gripado, ou com gastrite. Alguém que decide se drogar está fazendo uma escolha de vida, não contraindo um vírus.

Se Amy realmente foi vítima de alguma coisa, ela foi vítima de si mesma. De suas fraquezas; suas inseguranças. A sociedade não precisa se culpar por isso, afinal tudo se resume sempre a escolhas individuais.

Amy fez as escolhas dela. Ela é a única responsável pelo fim trágico que teve. E se os vícios não podem (e não devem) ser motivo para diminuir o talento dela, também não se deve aceitar que sejam usados para, de forma oblíqua, criar uma vítima.

Jean Wyllys X Bolsonarinho: A estupidificação do debate continua.

Escrevi outro dia um texto sobre a estupidificação do debate em torno do PL122 promovido pelos extremos envolvidos na questão. A facilidade com que essa gente intolerante avilta qualquer discussão, reduzindo tudo a uma coisa algo primitiva, só concorre contra qualquer compreesão séria do que está em jogo. Eu prefiro me colocar ao lado da racionalidade e da lógica, bem longe dessa gente simiesca.

Ontem, o vereador Carlos Bolsonaro, filho do Bolsonaro mais famoso, publicou em sua conta no Twitter as seguintes asneiras:

“CHuUuuupa Viadada. Bolsonaro absolvido!!!! Viva a Liberdade de Expressão. Parabéns Brasil!”

“ChuuuuUUUupa Viadada. A ditadura gay não representa a maioria do Brasil! A luta continua!!!!”

“Atenção boiolas, para infelicidade de vocês, eu sou hétero!”

É essa a idéia de debate democrático que esse sujeito tem? Não se trata de pensamento, mas de puro lixo! E que se note: não recrimino o Bolsonarinho aí pelo mérito de suas posições. Por mim ele é livre para gostar ou deixar de gostar de quem e do que quiser. O problema começa quando a forma de exercitar a sadia contróversia – própria de uma democracia – deixa o campo do humanamente civilizado para adentrar o barbarismo mais torpe.

Pessoalmente, recomendaria ao vereador uma digressão psicanalítica, de modo a ajudá-lo a descobrir de onde vem tamanho – como direi? – “prazer” em empregar esse termo “chupa” com tanto entusiasmo… Sei lá, mas essa aparente vontade de ver o outro (aqui compreendido como o adversário político) prostrado e pronto para a fellatio… bem… #significa…

Notem que não há o menor vestígio de argumentação objetiva e concreta. É apenas o desejo de atacar o adversário, mostrando todo um desprezo que afeta a maior das intolerâncias democráticas. O Bolsonarinho, afinal, não parece interessado em debater idéias. Ele quer apenas achincalhar aqueles com quem não guarda nenhuma proximidade de pensamento – se me permitem usar esse termo para me referir a ele. Não se comporta como parlamentar e homem público, mas como torcedor fanático de estádio, cujo objetivo também não é discutir democraticamente, mas apenas ofender (por vezes gratuitamente) o que lhe é contrário. O problema é que a sociedade democrática não existe para funcionar nos moldes de um confronto entre torcidas organizadas.

Esse little Bolsonaro, contudo, é apenas uma das faces da moeda estúpida. A outra, a título de exemplo, poderia ser representada pelo deputado Jean Wyllys, aquele ex-BBB cuja maior notoriedade é ter sido um… ex-BBB. Vejam como o psolista se dirigiu a Bolsonaro (o pai) ontem, no Congresso Nacional:

“Tenho orgulho de ser chamado de veado por outro veado. E o sr. tem que lavar a boca, pois sou homossexual com “h” maiúsculo, de homem, coisa que o sr. não é.”

As palavras, meus caros, têm sentido. A simples leitura do que disse Wyllys é suficiente para entender as mensagens explícitas ali contidas: 1) Jean Wyllys, orgulhasamente homossexual, chamou Bolsonaro de “veado”; 2) Bolsonaro, sabe-se, é adversário político de Wyllys; 3) Logo, Wyllys chamou um adversário de “veado”.

O corolário do que vai acima é bastante óbvio: Wyllys empregou claramente a expressão pejorativa “veado” para se referir a um adversário. Ou, se quisermos is além: para falar de alguém que ele não gosta. Me é lícito concluir que Wyllys repudia esse termo, um termo do qual ele disse… se orgulhar!

Por favor, se alguém conseguir encontrar uma falha lógica no que vai acima, sinta-se livre para apontá-la nos comentários. Não confundam minha objetividade com algum tipo de arrogância, mas o fato é que não me parece haver nenhuma… Como dito antes, as palavras têm sentido – para azar de Wyllys e de seu semelhante (no quesito estupidez), o Bolsonarinho.

Assim como o vereador carlos Bolsonaro, Jean Wyllys também mostrou que não tem o menor interesse em fazer um debate sério. O que os dois querem é exatamente igual: atacar, achincalhar e diminuir o adversário. Se possível, chegar ao ponto de varrer o outro do mapa. A intolerância de ambos com aquilo que não lhes é semelhante chega a ser assustadora, de tão primitiva. Em essência, são iguais.

No mundo ideal de qualquer um deles, o outro (o diferente) não teria voz, nem vez. No meu, poderiam existir pacificamente, cada um com suas preferências e seus direitos. Mas ambos inegociavelmente submetidos às regras do sistema democrático e de liberdades individuais, coisa que não parecem aceitar atualmente, visto que continuam transitando abertamente no terreno da selvageria mais rasteira.

A organização da Parada Gay e os discípulos de Bolsonaro: as duas faces ESTÚPIDAS da mesma moeda.

No último final de semana foi realizada a Parada Gay em São Paulo, um evento cujo objetivo principal, devo confessar, ainda não logrei entender… O que querem, afinal, os participantes? Direitos iguais? Fim do preconceito? Simplesmente desfilar em trajes sumários? Há tanta coisa diferente no tal evento, que fica difícil acreditar em uma – como direi? – “pauta mínima”. Mas já divago…

Evidente que os gays, assim como quaisquer outros grupos organizados pacificamente e dentro da legalidade, podem realizar a manifestação que bem entenderem. Da mesma forma que milhões de evangélicos saíram às ruas na tal “Marcha para Jesus”, também os gays (ou os ateus, ou os vascaínos, etc…) podem desfilar suas palavras de ordem livremente. Isso é liberdade de expressão, um dos maiores corolários de uma sociedade civilizada e democrática.

O busílis aparece quando a organização da tal parada decide, de forma livre e consciente, ultrajar terceiros. Foi o que fizeram ao usar imagens de santos da Igreja Católica em tom jocoso, de escárnio. Aí a manifestação livre sai do terreno da civilidade e entra no campo da provocação aberta e gratuita.

A desculpa dada por um dos organizadores da parada, Ideraldo Beltrame, foi uma campanha de combate a AIDS. Disse o sujeito:

“Nossa intenção é mostrar à sociedade que todas as pessoas, seja qual for a religião delas, precisam entrar na luta pela prevenção das Doenças Sexualmente Transmissíveis (DST). Aids não tem religião.”

Hum… E como exatamente isso seria demonstrado por meio de cartazes exibindo modelos SEMINUS posando como se fossem santos católicos?! Lia-se nos cartazes: “NEM SANTO TE PROTEGE”. Parece bastante claro que o objetivo não é conclamar os católicos para a luta contra a AIDS, mas apenas provocar. Assim, da forma mais rasteira possível…

Desnecessário dizer que a mera idéia dos tais manifestos está errada de per si, afinal, se todos seguissem o que prega a Santa Madre, é perfeitamente possível presumir que o número de casos de AIDS seria bem menor. Basta usar a lógica, não é mesmo? A conclusão é bastante óbvia: se santo não protege, cartaz de parada gay também não…

A impressão que se tem é que as tais “minorias” organizadas já desistiram de lutar “apenas” por direitos iguais. O objetivo parece ser erradicar a divergência. Em outras palavras, reivindicar a tolerância da sociedade é coisa do passado: não basta aceitar, é preciso ser entusiasta da causa. E quem não for? Bem, deve ser ultrajado, ridicularizado, achincalhado. Afinal, trata-se de alguém “obscurantista” e “careta”…

Eu sempre me surpreendo com a intolerância dos que dizem lutar por mais… tolerância! Essa – se me permitem o termo – “bolsonarização” que se viu na Parada Gay deste ano só mostra como esses opostos são parecidos e chegam a se tocar, cada um cavalgando seus argumentos rasteiros e suas retóricas catastrofistas. Em essência, não há diferença entre esses extremos. São todos intolerantes e adeptos da barbárie.

Vejam, por exemplo, o que disse a deputada Myrian Rios, outra parlamentar que parece formada na Faculdade Jair Bolsonaro de Estupidez Aplicada:

“Não sou preconceituosa e não discrimino. Só que eu tenho que ter o direito de não querer um homossexual como meu empregado, eventualmente” (…) “Por exemplo, digamos que eu tenha duas meninas em casa e a minha babá é lésbica. Se a minha orientação sexual for contrária e eu quiser demiti-la, eu não posso. O direito que a babá tem de querer ser lésbica, é o mesmo que eu tenho de não querer ela na minha casa. São os mesmos direitos. Eu vou ter que manter a babá em casa e sabe Deus até se ela não vai cometer pedofilia contra elas, e eu não vou poder fazer nada”

A deputada não foi apenas de uma imbecilidade espetacular. Foi muito além: ela sugeriu que pode haver uma relação entre homossexualismo e pedofilia, uma conduta que, é sempre bom lembrar, constitui crime.

De onde veio isso? Eu gostaria que a deputada me apresentasse um único estudo sério sustentando sua ilação criminosa e rasteira. Não há nenhum! Não tenho dúvida de que a deputada deve ser acionada judicialmente, afinal ela imputou a um inteiro grupo social a prática de um delito. Esse é o tipo da coisa que não pode passar impune, pois atenta contra o cerne da sociedade civilizada.

Percebam que nem entro no mérito das preferências pessoais dela! Sou bastante liberal a ponto de aceitar que uma pessoa é livre para empregar em sua casa quem bem entender, sem patrulhamento do Estado ou do pensamento politicamente correto. O que critico é a construção criminosa que ela fez no final daquele – vá lá… – “raciocínio”. De tão pedestre e abjeta, joga no lixo todo o restante.

Percebam que, em última análise, não há diferença entre os dois lados, que parecem deliberadamente ter optado pelo caminho dos extremos da intolerância. Ambos não se limitam a expor suas visões, criticando o que acham que deva ser criticado. Vão sempre além da diversidade democrática e adentram o terreno da incivilidade bárbara, pregando que o “outro” seja diminuído, criminalizado, apartado da sociedade. São duas vertentes do mesmo fascismo, nada mais.

A deputada Myrian Rios (assim como Bolsonaro e tantos outros) está certa em criticar o PL 122, denunciando o cerceamento de liberdades que ele pretende promover. É a forma com que fez isso que rebaixa toda a argumentação, levando o debate ao estágio mais baixo de todos. O senador Magno Malta, evangélico e crítico ferrenho daquele projeto de lei, tem mostrado que é perfeitamente possível fazer críticas contundentes sem flertar com nenhuma canalhice – ou sem imputar falsamente crimes a outrem.

Em análise estrita, é a mesma coisa que fez a Parada Gay em São Paulo. Que os homossexuais marchem e repitam slogans pedindo igualdade e fim do preconceito. Não há nada de errado nisso, pelo contrário! A escolha pelo extremo mais bárbaro surge quando eles decidem vilipendiar  símbolos do catolicismo, apenas pelo simples prazer de diminuir o “outro” que deles discorda.

Vão dizer que a Igreja “persegue” os homossexuais, mas isso… bem… é mentira! A Igreja, como parte integrante da sociedade (e ela o é, apesar do chororô generalizado), limita-se a expor suas opiniões e suas crenças sobre os temas. E – atenção agora! – ela se dirige aos seus fiéis. Só deve obedecer a Santa Madre quem comunga de seus preceitos. Nenhum gay (ou hétero, ou canhoto, ou ruivo…) que discorde dela precisa dar importância ao que acham os padres, os bispos ou o Papa. Quando uma autoridade católica fala, ela se reporta apenas a quem se comprometeu, por meio dos sacramentos, a seguir os ensinamentos. E uma sociedade livre deve entender que padres, pastores ou sei lá que outros ministros religiosos têm o direito de discordar do que bem entenderem (sempre de forma pacífica e dentro da legalidade), da mesma forma em que deve entender que os homossexuais têm os mesmos direitos e obrigações dos demais cidadãos.

Não deixa de ser curioso que os extremos do debate se valham de métodos fascistóides tão equivalentes… Chegam a ser tão parecidos, em sua sanha hidrófoba contra aquilo de que discordam, que parecem uma caricatura apontando para o próprio reflexo no espelho, acusando o “outro” de não ser tolerante. Ridículos – ambos os lados!

Enquanto tiverem como principal bandeira varrer o outro do mapa, não haverá discussão séria possível. É preciso aceitar que o saudável exercício da divergência deve obrigatoriamente se dar dentro dos limites próprios do jogo democrático, pois fora deles não há civilidade alguma. Só barbárie. Quando isso tiver sido entendido, poderemos debater a sério as outras questões “menores”…

Artigo recomendado (#1) – Luiz Felipe Pondé: “Leave the kids alone”.

Transcrevo abaixo o artigo assinado por Luiz Felipe Pondé, e publicano na Folha de hoje. Leiam! É uma aula sobre liberdades, humanismo e civilização.

DE FATO existem pessoas racistas. Homofóbicas, antissemitas (que hoje em dia se escondem atrás do antissionismo), que não gostam de pobres e de nordestinos. Pessoas assim barateiam o debate contemporâneo, assim como as que simplificam as trincheiras teóricas em que vivemos nos últimos anos, jogando tudo no mesmo saco do “reacionarismo”. Como se o mundo permanecesse nos limites de um “centro acadêmico em guerra contra a repressão da ditadura”.
Acho que muita gente tem saudades dos tempos da ditadura porque se sabia onde estava o mal. Será mesmo? Nem tanto. Muita gente ainda não sabe que a luta armada no Brasil foi feita por pessoas que queriam fazer do país uma ditadura de esquerda. Tivessem eles vencido, estaríamos hoje numa grande Cuba.
Mas como seria bom se o mundo fosse simples assim, preto no branco, amigos e inimigos, bons e maus. Não é. Na maior parte do tempo é cinza e confuso.
O debate ao redor do “politicamente (in)correto” incendeia a mídia. Pessoas querendo “mudar” Monteiro Lobato, querendo “curar” gays e “decretar” que não devemos corrigir o português dos pobres porque isso é ruim pra autoestima deles.
Tenho preconceito contra essa gente que vive pensando na “economia da autoestima”, sorry…
Tomemos como exemplo o debate sobre a luta pelos “direitos gays”.
O STF aprovou a união civil dos homossexuais. Vou mais longe: acho que deveriam ter o direito de se casar também e de ter filhos. E de ir às reuniões chatas de “pais e mestres”. E de ficar pobres como os héteros por causa dos filhos. E de descobrir que pouco importa sua “visão de mundo”, você estará sempre errado diante de um filho que cresceu.
Acho que quem “bate em gay” deve pagar não porque bateu num gay, mas porque gay é gente como todo mundo. Sou contra leis especiais que protejam gays. Complicado? Sinto muito.
Se um professor interrompe um menino e uma menina que se beijam na sala de aula é ok, mas, se fossem dois meninos, seria “homofobia”?
Hoje os jovens (e todo mundo) têm medo de dizer qualquer coisa que não seja “gay é lindo”. Não há nada de revolucionário em ser gay, nem existe uma “comunidade gay”. Gays são pessoas atoladas nas mesmas misérias e erros humanos. Neuróticos, como todo mundo, com sofrimentos específicos.
E aí chegamos a uma questão que me parece muito representativa dos equívocos do debate ao redor da “questão gay” (um belo exemplo do fascismo do politicamente correto): o pretenso direito de o Estado querer discutir “a heterossexualidade como normatividade sexual”.
Intenções como essas representam a tendência totalitária do Estado moderno em querer se meter em assuntos que não são da sua competência.
O governo não tem que se meter a dizer a ninguém o que é “sexualidade normal”. Isso é um crime contra a liberdade. E isso vai acabar “batendo” na sala de aula. E, como ninguém sabe direito o que está fazendo na sala de aula, essa nova “modinha” vai pegar.
Já disse em outras ocasiões que sou contra a tal da educação sexual quando pretende discutir “ideologias sexuais”. Como pai, tenho todo o direito de suspeitar da sanidade mental de uma professora de educação sexual, porque em matéria de sexo todo mundo é mal resolvido.
Se as famílias são um lixo e por isso exigem das escolas o que elas não podem dar, as famílias das professoras também são um lixo.
Imaginemos uma aula de educação sexual na qual vá se “questionar a normatividade” (ou normalidade) da heterossexualidade. Como seria uma aula dessas?
Que tal assim? Meninos e meninas colocando com a boca uma camisinha num pênis de plástico para, quem sabe, perceberem que meninos também podem gostar de fazer sexo oral em meninos.
Ninguém tem o direito de fazer isso. Nem pai, nem mãe e muito menos professores que, provavelmente, ao se dedicarem a isso, “provam” suas pequenas taras.
O Estado deve dar o direito aos gays de viverem como os héteros e mais nada. Não deve se meter a dizer o que é normal. As pessoas têm o direito de sentir o mal estar “que quiserem”. E deixem os filhos dos outros em paz.