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Barroso quer transformar a sociedade. Eu quero que ele prenda condenados, só isso.

“Agora fiquei feliz!”

O ministro Luís Roberto Barroso fez ontem sua estréia no julgamento do ex-suposto mensalão. E eu não gostei nem um pouco dela…

Com a desenvoltura dos que carregam uma espécie de verdade redentora que lhes foi revelada sabe-se lá por qual divindade, Barroso tentou emprestar ares de estudo sociológico ao seu voto. Divagando sobre os males históricos da formação política nacional, tratou de mostrar que sabe perfeitamente quais as causas da corrupção que assola o Estado brasileiro e o que deve ser feito para resolver de uma vez por todas o problema.

Tudo muito lindo, não fosse por um pequeno detalhe: Barroso não chegou ao STF para ensinar política, ou apresentar monografias político-sociológicas travestidas de voto. Ele está lá para julgar de acordo com os fatos e com a Constituição, só isso. Mas, quê! Ele não podia se limitar a julgar os mensaleiros: precisava (sim, parecia mesmo ser uma urgência algo fisiológica) dissertar sobre essa coisa chamada corrupção. Vejamos um trecho do que disse o ministro:

Em sua estreia no julgamento do mensalão, o ministro do STF Luís Roberto Barroso relativizou a dimensão do esquema, descolando-o de certa forma do PT, e disse que “é no mínimo questionável a afirmação de que se trata do maior escândalo político da história do País”. Ao embasar seu voto, comparou o mensalão e os valores envolvidos a outros casos de desvio de recursos públicos. Ele afirmou que os episódios recentes são consequência do modelo político-eleitoral. “Não existe corrupção do PT, do PSDB ou do PMDB. Existe corrupção. Não há corrupção melhor ou pior. Dos “nossos” ou dos “deles”.

A fala do ministro é assustadora! O que ele quer dizer quando fala que não há corrupção “dos nossos ou dos deles”? Quem exatamente são os “nossos” e os “deles”, de acordo com o ministro? Ele pode não ter notado no momento, mas ao se valer de tal expressão ele pareceu, aos olhos de quem acompanhou a sessão pela TV, alinhado a um dos lados.

E o que ele estava pensando ao dizer que o mensalão não foi o maior escândalo de corrupção da história? Em qual outro momento tivemos a cúpula do principal partido do país, enquanto estava no governo, recorrendo ao dinheiro público para comprar apoio parlamentar? Pesquisei aqui e não encontrei nada parecido, mas, a julgar pela fala de Barroso, isso é coisa que sempre aconteceu no Brasil…

A verdade é que ontem, durante a fala do ministro Barroso, a democracia encolheu-se num canto, amedrontada. E apenas um dos lados em questão pôde sentir-se feliz com as declarações.

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E o Oscar do contorcionismo retórico vai para…

…ELIAS CÂNDIDO!

Não, eu também não faço a menor idéia de quem seja o sujeito. Mas o prêmio não pode ter outro vencedor depois da ~brilhante~ entrevista que ele concedeu a Luiz Carlos Azenha acerca do episódio “PHA e o negro de alma branca”. Notem em especial os trechos em negrito:

Viomundo – Chamar alguém de “negro de alma branca” seria xingamento?

Elias Cândido –Seria um xingo. Seria exatamente aquela pessoa que, por querer ser aceito por aqueles que não a aceitam, se submete a humilhações em vez de buscar o seu espaço. Assim, do ponto de vista racista, equivaleria a um xingo.

Viomundo – Paulo Henrique se referiu ao Heraldo Pereira como um “negro de alma branca”. Essa menção seria racismo?

Elias Cândido — Não seria racismo, não. Quando o Paulo Henrique usa a expressão “negro de alma branca” não é para ofender a população etnicamente negra.  A intenção dele é chamar atenção para o comportamento do Heraldo Pereira, que é o comportamento daquele negro aculturado, que se submete a determinadas coisas, que se submete, por exemplo, às determinações da Rede Globo.  E a instituição Globo, eu diria, tem um comportamento racista.

Xeu vê se entendi: então chamar alguém de “negro de alma branca” seria um – como é mesmo? – xingo, exceto se o autor da frase for Paulo Henrique Amorim? Não… Definitivamente eu não consigo entender…

Pequenas Igrejas, Grandes Negócios: a UNÇÃO de CANETAS!

No blog da Sonia Racy:

Pastores da Igreja Universal do Reino de Deus inovam. Pela TV, em Brasília, prometem bom desempenho em concursos públicos. O fiel só precisa levar caneta ou comprovante de inscrição ao templo para ser ungido.

O discurso? “Se Deus te iluminar, te der a direção, nada dá errado.”

Nessas horas sinto falta do mestre ALBORGHETTI, que comentaria a notícia acima assim:

Macapá é uma das 50 melhores cidades…

Pois é, hoje me deparei com a seguinte notícia, divulgada pela Prefeitura desta capital de onde escrevo (os negritos são meus):

Macapá agora pertence a um grupo seleto de 50 cidades do país que mais investiram na preservação do Meio Ambiente, projetos de Infraestrutura Urbana e Bem-Estar Social. O conceituado prêmio “Top Prefeitos 2011” oferecido pelo Instituto Biosfera foi conquistado pelo prefeito Roberto Góes devido aos avanços que a cidade obteve com a realização dos programas Escola Viva, Cidade Legal, projeto Mucajá, dentre outros.

A capital do Estado foi uma das cidades vencedoras, nesta sexta-feira (9), do prêmio TOP Prefeitos 2011. O Instituto Biosfera é uma instituição brasileira que existe há 22 anos e atua no segmento de meio ambiente, desenvolvimento sustentável, sustentabilidade urbana, paisagismo e urbanismo. As ações implantadas na cidade se sobressaíram diante de um grupo com mais 700 municípios participantes de todo o Brasil.

Então… Eu fico aqui pensando como deve ser essas outras seiscentas e tantas cidades, porque, olha… Quem vive aqui sabe bem a várzea que é!

Whatever… Pra que ficar indignado e nervoso, se podemos apenas zoar? Foi o que aconteceu no Twitter, com muita gente dando sua versão de em que Macapá seria “uma das 50 melhores cidades”. Escolhi apenas algumas baseado no critério mais correto, imparcial e eficiente de todos: o blog é meu! Divirtam-se:

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES (bazinga!)” – @yashagallazzi

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” (para ter placa de lojas na esquina e não de sinalização.) – @kathypenha

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” pra se desviar dinheiro público! – @Marcio_Roney

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” entre todas as vilas do Amapá – @OfcGesiel

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” pra ter cinema que só passa filme dublado (e onde o povo clama por isso) – @Mrclpaiva

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES (pra se fazer piada)” – @yashagallazzi

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” para pessoas que já conheceram a Papuda – @eldosantos

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” pra se cuidar da vida alheia – @brunacerveja

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” pra comer tamuatá e arrotar salmão – @LenizeM

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” pra ser assaltado – @Marcio_Roney

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES (do Zimbábue)” – @yashagallazzi

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” (pra testar suspensão do carro) – @raulgemaque

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” para comer peixe pitiú e pagar muito caro por isso – @anagirlene

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES” (pra não acessar a internet) – @brunacerveja

“MACAPÁ É UMA DAS 50 MELHORES CIDADES (só que ao contrário)” – @yashagallazzi

Para deputado maranhense, vaiar Sarney é coisa de drogado.

E não é que apareceu um político simpatizante de Sarney para externar todo o seu mimimi contra o Capital Inicial e o público do Rock in Rio, por conta da “homenagem” LINDA feita ao imortal senador, há alguns dias? É um tal de Magno Bacelar, do PV, nacionalmente conhecido por… bem… defender Sarney.

Segundo Bacelar, o público do show representa apenas uma “pequena minoria da população”, e que muitos dos metaleiros ali presentes eram “drogados e maconhados” (muito sic!). Sua excelência disse que vai propor uma moção de repúdio contra a banda Capital Inicial e o cantor Dinho Ouro Preto.

Hum… Não sei o que os músicos farão, mas se um aliado de Sarney fizesse uma moção de repúdio contra mim, eu colocaria numa moldura e penduraria na parede da sala, para mostrar, com orgulho, às visitas.

Ah, pra quem não sabe, esse deputado foi o mesmo cara que, ao comentar o uso de helicópteros da polícia do Maranhão para viagens particulares de Sarney, mandou um “queria que o presidente fosse andar de jumento?”

Bom, longe de mim querer que Sarney saia andando por aí de jumento. Tadinho do bichinho…

Um texto asqueroso de Paulo Henrique Amorim.

Amorim é aquilo que eu gosto de chamar de jornalista com groovin. Isso porque ele adere ao governo de plantão, qualquer que seja o presidente eleito, sem pudor – ou medo de ser feliz… Simplesmente vai lá e arruma um bannerzinho da Caixa para chamar de seu, como todo blogueiro progressista que se preza faz.

Na ânsia de agradar o mesmo Estado que gasta com propaganda naquele antro bolorento, Amorim não tem medo de perpetrar todo tipo de trapaça intelectual e retórica ao alcance de suas teclas. Ele já atingiu o fundo do poço há muito tempo, mas, não satisfeito, começou a cavar a fim de descer ainda mais baixo, rumo ao inferno moral.

Vejam alguns trechos do que ele escreveu sobre o atentado terrorista cometido por Anders Breivik, em Oslo. E tentem não vomitar…

O autor do atentado em Oslo, na Noruega, se diz fundamentalista cristão, contra os imigrantes, e membro de uma organização de extrema direita.

(…) O assassino participava de um fórum neonazista na internet.

Ele acredita que os muçulmanos querem colonizar a Europa Ocidental.

E culpa as idéias “multiculturalistas” e do “Marxismo cultural” por incentivar isso.

(…) Ele se considera cristão, conservador, adepto da musculação e da Maçonaria.

(…) Quem aqui no Brasil, segundo o professor Wanderley Guilherme dos Santos, se apropriou da doutrina da extrema direita ?

Quem explorou o aborto e chamou o Papa para a campanha ?

Quem foi a cultos evangélicos passar a mão da cabeça (a outra mão empunhava a Bíblia) de manifestantes homofóbicos ?

Quem pôs nos bolivianos a culpa pela tragédia da cocaina e do crack ?

Quem disse que a baixa qualidade da educação em São Paulo se deve aos “migrantes” ?

Quem trouxe o Irã para a campanha presidencial e criticou uma política de envolvimento e negociação ?

Quem foi ao Clube da Aeronáutica do Rio denunciar a marxista Dilma Roussef ?

Quem ?

É preciso dar nome aos bois.

Na Noruega, ele se chama Anders Behring Breivik.

Nos Estados Unidos, Michele Bachmann.

No Brasil, José Serra. [Grifos e ascos nossos…]

Com sua redação no inconfundível estilo lista de supermercado, denotando a incapacidade que o sujeito tem de encadear logicamente duas ou mais frases (ele talvez seja a única pessoa na face da Terra capaz de escrever pior que José Sarney!), Amorim avança de forma baixa e primitiva contra a reputação alheia. E tudo sem o menor fundamento concreto, apenas pelo prazer de achincalhar, ofender, escarnecer…

A forma brutal com que Amorim tortura as palavras na vã tentativa de fazê-las corroborar a analogia mentirosa que estabeleceu entre Serra e Breivik é abjeta.

Notem que ele não conseguiu apontar nem um mísero elemento objetivo que ligaria os dois. Nada! Sugerir que ambos, por se afirmarem cristãos, seriam parceiros também no extremismo assassino seria como dizer que ele, Amorim, por ser partidário do governo PT, seria, tal qual Dirceu, um “chefe de quadrilha” (Copyrights PGR)…

A mera intenção de relacionar opiniões políticas extremas (como as da americana Michele Bachmann) aos atos de um assassino sociopata já se mostra algo absurdo! Há inúmeros políticos contrários à imigração e críticos da tal “islamização do ocidente” (uma rematada bobagem, diga-se), mas quantos conclamam os cidadãos a empunhar armas e abrir fogo contra inocentes? 0,5%? 1%?! Francamente…

E não estou, com isso, querendo dizer que os que realmente fazem apologia da violência não devam ser tratados com severidade. Longe disso! O que pretendo é mostrar que um assassino sociopata cheio de “idéias” na cabeça não pode ser jogado no colo de outrem, mas deve ser chamado a assumir as próprias responsabilidades de indivíduo que decidiu delinquir.

O único objetivo de Amorim parece ser, as always, enganar o leitor. Recorrer a chicanas retóricas pedestres a fim de brandir conclusões falsas é um recurso comum desse homem, para quem a verdade dos fatos não parece ser mais importante que um anúncio de estatal.

Sarney, o maior humorista do Brasil.

José Sarney é mesmo um sujeito sui generis… O maranhense, que, segundo Millôr, deveria ter sofrido impeachment simplesmente por ter escrito aquela glossolalia intitulada Brejal dos Guajas, concedeu uma entrevista ao Correio Brasiliense. Nela, o político mais velho do Brasil (se é que me faço entender…), aquele que, de acordo com  Paulo Francis, deveria ter levado “uma estaca no coração”, conta sua – como direi? – visão “peculiar” da política brasileira. Eu admiro Millôr e Paulo Francis. Logo, eu repudio Sarney. É questão de lógica elementar; de norte moral. Sempre prefiro estar do lado da civilização. Reproduzo abaixo alguns trechos da tal entrevista – as perguntas do jornalista e as respostas de Sarney, em itálico; alguns comentários meus, em negrito.

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Como é estar sempre no topo do poder?
Sempre estive apanhando. [Pouco…] Quando era estudante, fui preso pela ditadura Vargas. Fui contra o Getúlio. Depois procurei, dentro da UDN, ser de um grupo renovador. [HAHAHAHAHAHAHAHAHA!] (…) Tive tempo de oposição, eu tive tempo de luta dura. (…) [Tempo breve. Ele descobriu que não gostou, aí cuidou de se unir à situação – onde permanece até hoje.]

Qual foi o período mais cruel da política para o senhor?

Muitas vezes, fui submetido a um período de injustiças muito grande. [Tadinho…] E de crueldade. [Ôxi, vem cá no colo…] São feridas que não cicatrizam. [Tô chorando de pena aqui, gente. E vocês?] (…) Foi com grande amargura que eu atravessei aquele período no Senado (com as denúncias de atos secretos e privilégios na Casa ao longo do ano de 2009) e acho que foi uma das coisas mais injustas que vivi. (…) [O Senado Federal também acha os “anos Sarney” uma das coisas mais injustas que viveu, aposto…]

A Academia Brasileira de Letras é mais importante do que a política?
Olha, a Academia me deu mais alegria do que a Presidência. Minha vocação era a literatura. [Bom, se escrevendo como ele escreve a literatura era uma “vocação”, posso imaginar os DESASTRES que escreveria se não fosse…] A política, para mim, foi um destino. [Considerando que virou presidente porque Tancredo morreu, eu diria mais que foi um ACIDENTE DE PERCURSO.]

E o que seria o Sarney sem a política?

Eu teria feito uma melhor obra do que escrevi. A política me prejudicou muito nisso, na minha vocação. (…) [Não! Com todas as vênias possíveis, a política não tem culpa pela péssima literatura dele.]

O senhor acha que fez tudo pelo seu estado?

Acho que nada que existe no Maranhão deixou de ter a minha mão, dos últimos 50 anos para cá. [Isso, de onde eu venho, é chamado de confissão de culpa.] Porque, quando eu fui governador do Maranhão e entrei na política, o estado tinha um ginásio, no qual eu estudei. Fiz 74 ginásios. Meu programa era uma escola por dia, um ginásio por mês, uma faculdade por ano. [Hum… Já vi esse discurso antes… Onde foi mesmo? Ah, lembrei! No fascismo o Estado também se gabava de ter feito muitas escolas.] Consegui, com o governo federal, fundar a universidade federal. [Que é bem ruim, by the way.] Fiz a universidade estadual. [Who?!] Mantive o ramal da estrada de ferro de São Luís ligando até o Piauí. [Zzzzzzz…] Fiz a São Luís-Teresina asfaltada. [Zzzzzzz….] Como presidente, fiz de São Luís ao sul do estado, a Norte-Sul. Fiz também de São Luís ao Pará. [Mais zzzzzzzz…. Opa! Acordei! Notaram que ele não falaou nada sobre o Amapá? Estou neste momento rindo da cara dos amapaenses que votaram várias vezes nesse sujeito. Vocês merecem, seus BOCÓS!]

O apoio ao Lula foi oportunismo?
Eu apoiei o Lula porque achava que era um avanço para o país.
[Yep. A Presidência do Senado foi só uma coincidência…] (…) Muita gente acha que fui um conservador, mas sempre tentei ser um inovador. [Hahahahahahahaha!] Agora mesmo, não estou mais pensando no lápis com que comecei a escrever nem nas memórias. Estou pensando na internet, nos blogs. [Procurados por este escriba, nem a internet, nem os blogs quiseram comentar as declarações de Sarney.]

Não se arrepende de ter apoiado a ditadura?

Eu fui o único governador que protestou contra o AI-5. [Hahahahahahahaha! Engraçadinho…] Protestei não, não apoiei. [Ah, bom. Bem diferente, né?] (…) E dentro do período militar, nunca fui confortavelmente aceito pelos militares. [Mas é um humorista! Te cuida, Rafinha Bastos!] (…) Conseguimos uma coisa que nenhum país conseguiu: uma ditadura composta por militares que eram eleitos de quatro em quatro anos. [Uau! Mas é coisa de jênio!] Nós evitamos que tivesse um ditador aqui, o que, na realidade, era o que a linha-dura queria. [Evitaram que tivesse um dita…?! HUAHUAHUAHUAHUHA! Pára, Sarney! Assim eu morro aqui!] Há pessoas que dão importância muito grande aos heróis, aos mártires. Mas há aqueles que não deixam de ter o mesmo valor procurando construir dentro de soluções. Sempre gostei de ser o homem do diálogo. [Não sei vocês, mas eu preferia que ele tivesse “entregado a vida”, como um mártir…]

O senhor poderia ter tido uma participação muito mais efetiva contra um governo ditatorial.
Eu aceitei a realidade, mas sempre achando que isso era um caminho para voltarmos à plenitude democrática. [Traduzindo: “E eu lá sou burro de me meter contra uzômi? São meus bróder, cacete!] Quando senti que isso era impossível, rompi com eles e renunciei ao PDS, porque, naquele momento, senti que nosso esforço tinha sido em vão. (…) [Traduzindo (de novo): “Quando vi que a vaca fardada tava indo pro brejo, pulei fora porque importante era estar no barco dos vencedores.”]

A capacidade de diálogo faz com que o PMDB sempre esteja ligado ao poder?
O PMDB não esteve sempre ligado ao poder. O PMDB sempre foi muito contra o poder, foi o partido da resistência. (…) [Sempre foi muito contra o poder?! HUAHUAHUHAUHUA! Alô, CQC! Olha o homem aqui!!!]

Acha que a história será generosa com o senhor?
Eu acho que sim, porque quando se desaparecem as paixões, o que vai aparecer é o homem que sempre, nos momentos decisivos, optou por melhorar o país. [Eu já acho que a história lembrará de Silas Rondeau, da Roseana, do Zequinha, do Fernando, da censura ao Estadão, dos mais de cem processos contra jornalistas no Amapá, dos atos secretos… Quem quer apostar?] (…) Mas consegui fazer a Constituinte, tive a coragem de fazer o Plano Cruzado, fiz o congelamento de preços e o congelamento do câmbio, que significou a primeira grande redistribuição de renda do país. [Esse plano significou quebrar economicamente o país, que precisou de MAIS DE UMA DÉCADA para começar a se reestruturar. Foi possivelmente o maior desastre já levado a termo por um governante, pior que o bloqueio da poupança por Collor.]

Mas o seu governo terminou com 80% de inflação.
Ora, a inflação com correção monetária não é inflação. [Heim?! Alguém aí faltou nas aulinhas de economia básica…] Eu mandei calcular em dólar, como se calcula o PIB, quanto foi a inflação no meu tempo. Foi de 17,4%. [Ah, tá. E eu mandei o Banco Gringotes calcular meu salário em galeões, sicles e nuques, e descobri que sou milionário…] (…) E se não fossem essas condições do Cruzado, nós não teríamos condições de fazer a Constituinte. Isso tudo se esqueceu por quê? Porque o Sarney não tinha partido. Tinha oito candidatos à Presidência da República, todos falando mal de mim na televisão, não tinha um que me defendesse. [Oito candidatos falando mal dele na TV? SÓ ISSO?! Onde estavam os outros?!?!?!]

O senhor pensa em se aposentar?
A gente não tem domínio sobre o corpo, então tenho que ser realista. Tenho de ter a noção de que já estou na parte final. (…) [TODOS COMEMORA!]

Por que dizem que o Sarney vive de cargos?

Olhe, eu não pedi um cargo à Presidência atual. E nos governos anteriores, nunca tive uma indicação pessoal para colocar um amigo num lugar. (…) Eu fiz uma vida política sem ser clientelista de cargos. Em lugar nenhum. [Esclarecemos que o autor do blog não pode comentar essa resposta, pois está no chão, tendo um ataque convulsivo de risos.]

Por que é a favor do sigilo dos documentos?

Daqui a 50 anos, até a palavra sigilo já terá desaparecido. (…) [Espero que daqui a 50 anos a palavra “Sarney” tenha desaparecido…]